A Secretaria Municipal de Saúde de Campos sediou, nessa quarta-feira (7), a 2ª Reunião Técnica sobre Mudanças Climáticas, VigiAr e VigiSolo 2026. Realizado pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), no auditório do Conselho Municipal de Saúde, o encontro reuniu profissionais da área de Vigilância em Saúde para discutir os impactos das mudanças climáticas no território e estratégias de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para situações como aumento das temperaturas, chuvas intensas e alterações na ocorrência de doenças e agravos.
A capacitação é voltada a profissionais das Secretarias Municipais de Saúde da Região Norte do Estado do Rio de Janeiro que atuam ou possam atuar nos programas de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Poluentes Atmosféricos (VigiAr) e de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Solos Contaminados (VigiSolo). Também participam representantes da Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Saúde do Trabalhador, Atenção Primária, Controle de Endemias e agentes comunitários, além de profissionais de outras áreas relacionadas à resposta a eventos climáticos.
A reunião foi conduzida por Carla Ribeiro, consultora técnica da Coordenação de
Saúde de Vigilância Ambiental/ SES-RJ/ OPAS, e Antônio Sérgio, técnico de Mudanças Climáticas do VigiAr e VigiSolo. Entre os objetivos está o fortalecimento da atuação integrada dos municípios e o compartilhamento de informações sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde da população.
Segundo Carla Ribeiro, conhecer as características e os riscos de cada território é fundamental para antecipar problemas e organizar as ações de saúde.
“O principal objetivo é fazer com que as equipes técnicas dos municípios entendam melhor os programas VigiAr e VigiSolo, relacionados à vigilância da qualidade do ar e às populações expostas a contaminantes químicos, para que possam se preparar e atuar diante dos impactos das mudanças climáticas. Essa atuação precisa ser transversal, envolvendo as vigilâncias epidemiológica, ambiental e sanitária, a Saúde do Trabalhador e a Atenção Primária, fortalecendo o SUS”, explicou.
A consultora destacou ainda a importância de identificar previamente os pontos mais vulneráveis de cada município. “É preciso conhecer melhor o território e os problemas que podem surgir com o aumento das temperaturas ou com as chuvas intensas. Quando sabemos onde está o problema, conseguimos planejar uma ação preventiva para evitar que ele se agrave”, afirmou Carla.
Durante a capacitação, também são apresentados resultados das ações do VigiAr e VigiSolo nos territórios, a partir de informações levantadas pelo Instrumento de Identificação das Mudanças Climáticas (IIMC). A proposta é ampliar a capacidade dos municípios de reconhecer riscos ambientais e epidemiológicos e incorporá-los ao planejamento das ações de saúde.
Em Campos, a preparação também envolve o monitoramento dos possíveis efeitos de eventos climáticos extremos sobre a ocorrência de doenças. O subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Carneiro, destacou a preocupação com o aumento das chuvas e seus possíveis impactos sobre a proliferação de mosquitos transmissores de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya.
“O Ministério da Saúde e a SES-RJ já alertaram para os riscos que eventos climáticos extremos podem ocasionar em Campos e na região. Um dos pontos de atenção é a possibilidade de aumento dos índices pluviométricos, seguido de maior proliferação de vetores, principalmente o Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya”, explicou.
De acordo com Rodrigo, o município já elaborou e apresentou à Secretaria de Estado de Saúde um plano de contingência com ações que poderão ser adotadas de acordo com a gravidade dos eventos climáticos registrados.
O subsecretário lembrou ainda que Campos enfrentou uma epidemia de dengue em 2024 e reforçou que a prevenção depende também da participação da população. Atualmente, o município mantém as ações de rotina do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e o monitoramento dos indicadores relacionados às arboviroses.
“Mesmo com os indicadores atuais do LIRAa sem um alerta máximo de preocupação, a Secretaria de Saúde, em conjunto com o Centro de Controle de Zoonoses, continuará realizando as visitas de rotina. É fundamental que a população também faça a sua parte, eliminando os criadouros do mosquito. Dessa forma, caso ocorram eventos climáticos extremos, podemos reduzir o risco de uma nova circulação das arboviroses”, ressaltou.
Rodrigo também destacou a importância da vigilância laboratorial para a chikungunya, considerando o intervalo desde o último período de maior circulação da doença no município, em 2019. A manutenção do monitoramento permite identificar precocemente possíveis alterações no cenário epidemiológico e orientar a adoção de medidas de controle.
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