A Prefeita Carla Caputi concedeu entrevista à emissora comunitária Grussaí FM nesta sexta-feira (15) e abordou diversos assuntos, dentre eles hospital, plano diretor, obras de pavimentação em diversas ruas, obras do colégio Dr. Newton Alves, rescisão, expobarra, associações diversas, devolução de recursos por parte da Câmara de Vereadores de São João da Barra e mais.
A Chefe do Executivo sanjoanense participou in loco da entrevista utilizando um acessório diferente aos olhos do público. Carla estava usando óculos, o que despertou a atenção do radialista Luiz Fernando que a questionou sobre o uso. A Prefeita disse que após a última gravidez, adquiriu diabetes e que isso comprometeu um pouco a sua visão, sendo necessário o uso do acessório.
Logo no início, Carla mandou um recado claro sobre o momento político e o ambiente nas redes sociais: “A internet virou uma terra sem lei. As pessoas falam mentiras como se fossem verdades e isso atrapalha muito quem trabalha sério”.
“Não apertei o botão do automático”, diz Carla Caputi
Uma das primeiras perguntas foi justamente sobre comentários de bastidores de que o governo teria “acomodado” após a reeleição. Carla negou de forma enfática. “Claro que não. Temos muitos projetos, muito trabalho e muitos desafios pela frente. Estou mais animada do que nunca”.
A Prefeita afirmou que, mesmo enfrentando forte queda na arrecadação dos royalties, o governo segue funcionando sem cortar programas sociais. “Estamos mantendo tudo em dia mesmo com uma perda de quase 30% da arrecadação dos royalties”.
Ela comparou a situação à realidade de uma família brasileira: “É como uma família que perde parte da renda e precisa continuar mantendo a casa funcionando.”
Hospital municipal: governo responde TCE e Carla diz que sonho segue firme
O hospital municipal voltou ao centro do debate. Após a suspensão temporária da licitação pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/RJ), Carla garantiu que todas as respostas já foram enviadas ao órgão. “Os apontamentos foram todos técnicos, relacionados a planilhas e cálculos. Nada sobre irregularidade na estrutura da licitação”.
A Prefeita afirmou que vê a fiscalização como algo natural: “É uma obra de valor alto. É natural que o Tribunal (TCE/RJ) queira olhar tudo.”
Ela também reforçou que a obra será muito maior do que inicialmente pensado: “O hospital hoje inclui climatização, gases medicinais, até heliponto, é uma estrutura completa. É um projeto muito maior.”
Durante a entrevista, Luiz Fernando relembrou uma antiga polêmica envolvendo valores do hospital e assumiu parte da responsabilidade: “Eu pressionei a Prefeita naquela entrevista antiga para ela falar um valor (total de construção de um hospital)”. Carla respondeu: “Essas questões mudam muito porque obra pública segue tabelas e regras completamente diferentes da iniciativa privada”. Luiz, então, concluiu: "Erro meu, me desculpe".
Como manter o hospital funcionando?
Questionada sobre o custo futuro do hospital, Carla revelou que o município já trabalha em modelos para garantir a manutenção da unidade. “Estamos estudando várias possibilidades legais e parcerias com governo federal, estadual e outros entes”. Ela confirmou que deputados, Brasília e o Governo do Estado serão fundamentais para sustentar a estrutura no futuro.
Erosão em Atafona e Açu: “Quero resolver de verdade”
Carla confirmou que a empresa vencedora do estudo macro já foi definida: “A empresa Caruso venceu e queremos dar a ordem de serviço até o fim de maio”. Ela explicou que o estudo é necessário para buscar recursos federais e estaduais: “Hoje ninguém libera dinheiro público sem projeto atualizado”. A Prefeita ainda destacou a pergunta do ministro da Integração Nacional durante reunião em Brasília: “A primeira pergunta foi: vocês têm projeto atualizado?”. Segundo Carla, os projetos antigos estavam defasados e não atendiam mais à legislação atual, sendo necessário a realização de uma nova licitação para um novo estudo, atualizado.
“Dá vontade de jogar pedra no mar, mas eu não posso”
Visivelmente incomodada com a burocracia, ela desabafou: “Dá vontade de pegar pedra e jogar lá para conter o mar. Mas eu não posso. Se eu fizer isso, eu respondo por crime ambiental”. Ela explicou que depende de autorização do INEA e de vários órgãos ambientais. “Nada pode ser feito sem licença”. Mesmo assim, garantiu: “Eu quero buscar a solução. Palavra de Caputi”.
Porto do Açu pode ajudar no combate à erosão
A Prefeita também revelou que o município busca parceria com o Porto do Açu no enfrentamento da erosão. Segundo ela, o complexo possui material e expertise técnica importantes para o projeto emergencial. Mas reforçou: “Tudo depende de autorização”.
Carla Caputi rebate Bruno Dauaire sobre obra da Beira-Mar
Outro tema polêmico foi a obra da Beira-Mar citada pelo deputado estadual Bruno Dauaire. Carla afirmou que o município nunca recebeu formalmente o projeto. “Não teve nada oficializado”. Ela contou que chegou a ir pessoalmente à Secretaria das Cidades para entender a situação. “Cheguei lá e ninguém sabia informar direito”. Segundo Carla, faltavam detalhes básicos como drenagem, licença ambiental e responsabilidade técnica.
Plano Diretor: Prefeitura quer criar zona empresarial fora do Porto
Questionada por uma moradora sobre embargo de construção próximo ao Rio Paraíba do Sul, Carla explicou que o novo Plano Diretor vai reorganizar o crescimento urbano da cidade. "A minha pergunta vai ser a respeito do plano diretor. Nós sabemos que está havendo uma movimentação pra atualização dele, uma vez que está defasado. A gente tem um terreninho, e começamos uma construção seguindo todo o trâmite da prefeitura pra legalização, e a nossa obra foi embargada, porque segundo o plano de saneamento urbano, nós estamos numa área de preservação ambiental, neste caso, por estar a 200 metros do rio Paraíba. E nossa obra foi embargada. E aí a gente vê, assim, várias construções, inclusive, de gente, de pessoas que trabalham na prefeitura, de dentro da prefeitura, que têm obras, casas, que estão na beira do rio, inclusive, crescendo, entrando às margens do rio, mais da margem do rio, né? E o poder público faz vista grossa, finge que nada está acontecendo. Então a minha pergunta é sobre isso. O novo plano diretor vai abordar essas questões de planejamento fundiário? A gente vai conseguir legalizar a nossa obra? Qual é o posicionamento da prefeitura em relação a essas obras?", indagou a ouvinte.
Carla Caputi respondeu: "Então, o plano diretor ele é uma exigência legal que a gente esteja atualizando ele, a cada tempo. De um lado, uma hora, a vocação é de um jeito, a tendência para o crescimento é de outra parte, a gente viu essa necessidade dessa atualização e dessa organização. Reorganização, né? O plano tem que seguir as legislações federais e estaduais, né, que sobrepõem, e ser feito pensando no crescimento do município. De maneira específica, em cada lugar, tem a sua particularidade. Um dos objetivos do plano ser atualizado é a intenção de que a gente possa criar uma zona de desenvolvimento municipal, próximo, lá no 5º Distrito, próximo ao porto do Açu, para que a gente possa atrair as empresas para fora do complexo. Hoje, as empresas que vêm, né, relacionadas ao complexo, elas só têm a possibilidade de estarem se instalando dentro do complexo. E lá no complexo, eles cobram o aluguel deles, né, então oferecem também a locação deles, e elas não têm uma opção de estarem fora do complexo. E a gente, enquanto município, a gente quer que tenha essa opção, que as pessoas possam optar. Ah, eu não vou alugar dentro do porto, mas eu vou construir, eu vou alugar, qualquer coisa que seja... Fora do porto. Você vai abrir até, inclusive, um leque para várias pessoas que hoje não sabem disso. Não sabem. Isso vai gerar muita renda para o nosso município. Demanda. Muitos empregos, né, diretos e indiretos", respondeu, sendo interrompida pelo locutor Luiz Fernando.
"Esse plano diretor vai superar também a questão de edificações? A gente não pode construir três andares na cidade? Quatro andares ou mais? Esse plano diretor superaria isso também?", indagou o radialista.
"Ele trata, sim, de algumas dessas legislações, porque justamente, por exemplo, vamos imaginar, vamos dar um exemplo muito claro, onde a gente tem a questão aí do risco ambiental do Pontal de Atafona ou o próprio Açu. Se no plano ele não nortear, dizendo que ali não pode construir porque é uma área de risco, muitas pessoas que vêm de fora, ou até mesmo quem mora aqui, não vai ter esse conhecimento e vai se colocar em áreas de risco. Então, o plano ele norteia tudo isso, onde não pode construir, onde pode construir, com algumas restrições, porque é caminho d'água, tem legislação ambiental, é uma APA e etc. Enfim, ele faz essa organização do município. Já aconteceu uma coisa muito interessante, de empresas vir para a nossa cidade, ou pessoas vindas para a nossa cidade, olharem o plano, porque ele é uma apresentação, vamos dizer assim, do município, e não verem nada, e acabarem querendo, investindo, comprando, e chegando lá não podendo dar continuidade porque a legislação veda, o plano veda. Então, a gente precisa ter isso organizado para a gente fazer a cidade crescer. De maneira específica, e quando eu falei essa questão lá do Porto, a gente, a nossa ideia é que essas empresas de médio e pequeno porte fiquem instaladas fora do Porto, para que possa formentar a nossa economia e gerar tudo que ela gera. Mas de maneira específica, no caso da Isabela, é um assunto mais direto, mais específico, e que a gente precisaria olhar onde é, o que ela está falando, para que a gente possa analisar. Eu não devo me comprometer com responder, porque posso responder algo que não seja pertinente para ela, no caso dela específico. Mas eu sugiro que ela procure, esteja lá com a nossa secretária de obras, que é a Ana Paula, ela é bem acessível, marque um horário lá, para entender melhor o que ela está falando, e ela aborda também um outro assunto, que é a regularização fundiária, das pessoas que não têm o recibo, que não têm escritura, e se a gente tem um plano também, que é um plano muito grande, praticamente quase toda cidade, e a gente precisa ir de um, começar em um piloto, porque quem faz tudo de vez acaba não resolvendo nada. E aí a gente tem um plano piloto aí, de começar com o reúbe, e umas outras legislações específicas...".
Carla fala sobre delegar funções no gabinete
A Prefeita também comentou o fortalecimento de pessoas próximas dentro do gabinete, como Nayara Rosa e Rodrigo Florêncio. Ela admitiu que precisou descentralizar funções: “A Prefeita é uma só”. Carla explicou que sua equipe já conhece sua forma de trabalhar e consegue resolver muitas demandas sem depender diretamente dela. “Eles sabem minhas diretrizes”.
IMAPS recebe elogios após assumir emergência municipal
A terceirização da emergência municipal para a IMAPS também foi tema da conversa. Carla avaliou a experiência como extremamente positiva. “Tem sido muito satisfatório”. Ela contou que recebeu elogios espontâneos de moradores sobre o atendimento. “Um empresário me procurou em um restaurante para elogiar o atendimento que recebeu”.
Queda dos royalties preocupa prefeitura
Carla voltou a demonstrar preocupação com a redução da arrecadação. Segundo ela, o município vive um momento delicado financeiramente. “Estamos trabalhando muito para equilibrar tudo”. Mesmo assim, garantiu que obras continuam acontecendo.
Obras no 5º Distrito e em Grussaí
Questionada sobre obras de pavimentação no outro lado da lagoa, a Prefeita explicou que o cronograma ocorre por etapas. “A primeira fase já foi feita. Agora vamos para a segunda”. Ela revelou que novas ruas poderão entrar no pacote de obras.
Associações e entidades: prefeitura fará capacitação
Carla também falou sobre entidades e associações que recebem emendas parlamentares. Segundo ela, mudanças na legislação exigiram mais rigor nas prestações de contas. “As leis mudaram e as entidades precisam se adaptar”. Apesar disso, elogiou o trabalho social desenvolvido pelos projetos. “Essas entidades ajudam muito a população”. A Prefeita anunciou ainda um curso de capacitação para associações e terceiro setor. “Vamos trazer um palestrante renomado nacionalmente”.
Carla Machado, vereadores e divergências políticas
A Prefeita também comentou divergências políticas dentro do próprio grupo. Ela confirmou que existem vereadores da base que não apoiarão Carla Machado nas eleições estaduais. Mesmo assim, pediu respeito. “Cada um é livre para fazer sua escolha”. Carla admitiu que ela e Carla Machado possuem estilos diferentes. “A Carla é mais polêmica. Eu sou mais comedida”. Mas reforçou admiração pela ex-prefeita: “Tenho muita admiração pela Carla”.
Shows e eventos: Grussaí perde espaço para Balneário e Açu
Sobre os eventos no verão, Carla confirmou que o município deve manter a estratégia de concentrar grandes shows no Balneário e no Açu. Segundo ela, o motivo principal é financeiro e logístico. “Os artistas estão absurdamente caros”. Ela revelou que cachês chegam a ultrapassar R$ 1 milhão. Mesmo assim, afirmou que Grussaí continua sendo beneficiada pelo movimento econômico gerado.
ExpoBarra 2026
Embora não tenha confirmado oficialmente a programação do evento, Carla deixou claro que o governo vem tratando com cautela os investimentos em festas e grandes atrações por conta do cenário financeiro enfrentado pelo município. A Prefeita destacou que eventos movimentam a economia local, fortalecem o comércio e geram renda para ambulantes, hotéis, restaurantes e trabalhadores temporários. “Se acabar com os eventos, muita gente sofre economicamente”.
Rescisões
Outro ponto abordado pela Prefeita Carla Caputi foi o pagamento das rescisões referentes a 2024 na Prefeitura de São João da Barra. Segundo Carla, os pagamentos estão sendo realizados gradativamente, dentro da capacidade financeira do município. “Os pagamentos já foram feitos e vão continuar sendo feitos de acordo com o recurso orçamentário”.
“Não brinco com dinheiro público”
Ao longo de toda entrevista, Carla repetiu várias vezes que seu governo atua com responsabilidade técnica, jurídica e fiscal. “Eu não brinco com dinheiro público”. E encerrou reforçando seu perfil: “Prefiro falar aquilo que realmente pode acontecer”.
Câmara de Vereadores de São João da Barra devolveu dinheiro à Prefeitura — LEIA CLICANDO AQUI
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