As investigações sobre a morte de Maria Eduarda durante um salto de rope jump em Limeira, no interior de São Paulo, continuam avançando. Até o momento, seis pessoas foram conduzidas ao Distrito Policial da cidade para prestar esclarecimentos. Destas, três permaneceram detidas.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os presos têm 27, 32 e 42 anos e foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando a pessoa não tem a intenção direta de matar, mas assume o risco de provocar a morte.
A SSP não confirmou se os detidos são os mesmos homens que aparecem nos vídeos registrados por testemunhas e compartilhados nas redes sociais.
As imagens analisadas pela polícia mostram o momento em que Maria Eduarda é carregada até a plataforma por três homens. A principal evidência levantada até agora é que a corda de segurança, que deveria estar presa ao corpo da jovem, permaneceu enrolada no chão durante toda a preparação para o salto.
Nos vídeos, um dos homens permanece atrás observando a movimentação, enquanto outros dois conduzem a vítima pela estrutura metálica. Pouco depois, Maria Eduarda é lançada da plataforma. Instantes após o salto, pessoas que aguardavam no local percebem a ausência do equipamento de segurança e entram em desespero.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado rapidamente, mas a equipe constatou parada cardiorrespiratória e o óbito ainda no local.
Empresas envolvidas
Os instrutores que aparecem nas gravações utilizavam uniformes com os nomes das empresas Entre Cordas e Ih Voei. Após a repercussão do caso, os perfis das duas empresas nas redes sociais ficaram indisponíveis.
Juntas, as páginas acumulavam cerca de 100 mil seguidores e divulgavam frequentemente vídeos de saltos realizados no local, inclusive com a participação de crianças. Em dezembro de 2025, o valor cobrado por um salto promovido pela Entre Cordas era de R$ 130.
Prefeitura de Limeira anuncia medidas
A Prefeitura de Limeira informou que pretende acionar judicialmente o Governo Federal por suposta omissão relacionada à segurança da área onde funcionava a atividade.
Segundo a administração municipal, desde o início de 2025 vinham sendo encaminhados ofícios e solicitações aos órgãos federais responsáveis, cobrando providências para garantir a segurança do local. Em nota, a prefeitura afirmou que a tragédia tornou "insustentável e inaceitável a continuidade dessa omissão".
O município também declarou apoio às investigações conduzidas pela Polícia Civil e prestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima.
Governo Federal se manifesta
Em resposta ao caso, a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, informou que a ponte onde ocorreu o acidente integrava um trecho não implantado de um antigo ramal ferroviário entre Limeira e Cordeirópolis, localizado em propriedades particulares.
Segundo o órgão, o processo de transferência patrimonial para a Superintendência da SPU em São Paulo foi concluído apenas em março de 2026. A secretaria afirmou ainda estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Especialista aponta erro grave
Para o presidente da Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, Marco Antônio de Campos, o acidente foi resultado de uma falha operacional extremamente grave.
Segundo ele, os responsáveis pelo salto "esqueceram metade da operação". O especialista explicou que o procedimento padrão da modalidade prevê que o praticante caminhe até a plataforma e realize o salto por conta própria, após todas as conferências de segurança.
Entenda a modalidade
O rope jump é uma atividade semelhante ao bungee jump, mas com diferenças importantes no sistema de ancoragem e no movimento realizado durante a queda.
No bungee jump, a corda geralmente é presa aos pés do participante, produzindo o conhecido efeito de "iôiô" após o salto. Já no rope jump, a pessoa utiliza equipamentos presos à cintura e ao peitoral, permanecendo em posição semelhante à de estar sentada enquanto realiza um movimento pendular.
Local acumula histórico de acidentes
A ponte onde ocorreu a tragédia já era alvo de preocupação das autoridades municipais.
Em abril de 2024, uma ciclista morreu após cair da estrutura. No ano seguinte, em agosto de 2025, duas mulheres ficaram gravemente feridas em outro acidente registrado no mesmo local.
Diante do histórico, a prefeitura afirma que vinha alertando órgãos federais sobre os riscos existentes na área, sem que medidas efetivas fossem adotadas.
As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias da morte de Maria Eduarda e determinar eventuais responsabilidades criminais e civis pelo caso.
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