O Tribunal de Justiça do Rio decretou a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, nesta terça-feira (3), por descumprimento de medidas cautelares. A decisão ocorre após o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogar o habeas corpus que beneficiava o cantor.
A decisão é da juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal. Segundo a magistrada, os relatórios de movimentação referentes aos meses de novembro e dezembro do ano passado foram considerados inconclusivos quanto à localização do réu entre 18h e 00h, especialmente a partir das 20h.
O relatório verificou ainda deslocamento do rapper entre 00h e 6h no dia 12 de novembro, bem como nos dias 14, 15, 16, 17, 18, 19 e 24 de dezembro, o que evidência violação do recolhimento domiciliar noturno determinado.
No documento, consta também que a tornozeleira eletrônica apresentava episódios de "fim de bateria" com durações expressivas em um curto espaço de tempo, entre outubro e novembro, totalizando, até o último relatório, 22 incidentes, com períodos extensos sem monitoramento. Confira:
03/11/2025 - mais de 8 horas desligado;
18/10/2025 - mais de 10 horas desligado;
04/11/2025 - três ocorrências distintas totalizando aproximadamente 9h33 de inoperância do dispositivo;
05/11/2025 - violação com duração de 2h46;
09/11/2025 - ocorrência de 3h30;
10/11/2025 - lapso de 7h37 durante a madrugada;
11/11/2025 - duas ocorrências somando aproximadamente 6h de equipamento desligado.
Oruam deveria cumprir uma série de medidas cautelares como:
- Comparecimento mensal em juízo;
- Manutenção de residência fixa na comarca, com endereço e telefone atualizados;
- Proibição de acesso ao Complexo do Alemão e a outras áreas classificadas como de risco pela Corregedoria;
- Proibição de contato e aproximação, em um raio de 500 metros, dos demais acusados e de um adolescente citado no processo;
- Proibição de deixar a comarca por mais de sete dias sem autorização judicial;
- Recolhimento domiciliar noturno, das 20h às 6h;
- Uso de tornozeleira eletrônica, com monitoramento pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).
O rapper foi preso em julho do ano passado e teve a prisão revogada em setembro pelo ministro Joel Ilan Paciornik. Ele responde em liberdade pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, ameaça e danos ao patrimônio público.
O cantor também já foi indiciado por tráfico de drogas, associação ao tráfico, dano ao patrimônio público, desacato, lesão corporal, ameaça e resistência qualificada. Além de ser denunciado por corrupção ativa e por dirigir de forma perigosa com a habilitação suspensa.
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A reportagem tenta contato com a defesa de Oruam. O espaço está aberto para eventuais manifestações.
Relembre episódio que levou à prisão
De acordo com a Polícia Civil, o rapper atacou agentes e tentou impedir o cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra um adolescente, de 17 anos, que estava escondido em sua mansão, na noite do dia 21 de julho.
A corporação afirma que, no momento da prisão do adolescente, Oruam e mais oito pessoas surgiram na varanda, xingaram e atacaram os agentes com pedras, ferindo um dos policiais. Em seguida, eles desceram e continuaram proferindo insultos e ameaças contra a equipe.
Na ocasião, ele chegou a ser autuado em flagrante por desacato, resistência qualificada, lesão corporal, ameaça, dano e associação para o tráfico, mas fugiu do local e foi para o Complexo da Penha, na Zona Norte.
Em 22 de julho, a Justiça do Rio expediu um mandato de prisão contra ele. No mesmo dia, o rapper se entregou à Polícia Civil. Em seguida, deu entrada na Penitenciária Dr. Serrano Neves, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste, onde ficou até setembro.
Oruam é filho de Marcinho VP, um dos chefes do Comando Vermelho (CV), preso desde 1996, e sobrinho de Elias Pereira da Silva, o "Elias Maluco", responsável pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002.
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