O combate ao furto de energia elétrica, conhecido popularmente como “gato”, colocou Campos dos Goytacazes entre os municípios do estado com maior número de Registros de Ocorrência e prisões em flagrante durante operações realizadas pela Enel Rio em parceria com a Polícia Civil.
Entre janeiro e agosto de 2026, a concessionária realizou 60 operações em sua área de concessão. As ações resultaram na prisão em flagrante de mais de 60 pessoas e na abertura de mais de 145 Registros de Ocorrência (ROs).
Segundo a Enel, Campos aparece na lista dos cinco municípios com maior número de Registros de Ocorrência lavrados no período, atrás de Niterói, São Gonçalo, Mangaratiba e Teresópolis. O município também está entre os cinco com maior número de prisões em flagrante.
O cenário chama atenção também na região Norte Fluminense, onde a Enel atua em municípios como São João da Barra e São Francisco de Itabapoana. A concessionária afirma que as fiscalizações são realizadas de forma sistemática para identificar ligações clandestinas e outras irregularidades no consumo de energia.
Os estabelecimentos comerciais representam a maior parcela das ocorrências identificadas pelas equipes da Enel. De acordo com o levantamento divulgado pela concessionária, 65% dos casos registrados entre janeiro e agosto ocorreram em estabelecimentos comerciais, enquanto 34,9% foram identificados em residências. Também foram encontrados casos isolados envolvendo clientes rurais e grandes consumidores.
Entre os estabelecimentos onde foram identificadas irregularidades estão restaurantes, quiosques, padarias, bares, lanchonetes, hotéis, pousadas e supermercados.
Em uma das operações realizadas no estado, técnicos da Enel, acompanhados por policiais civis e peritos criminais, encontraram uma ligação direta de energia em uma pousada spa de Itaipava. Em outra ação, realizada em Niterói, equipes identificaram 17 ligações clandestinas em quiosques da orla de Charitas.
A Enel alerta que o chamado “gato” de energia é crime e pode resultar em prisão. A pena prevista para o furto é de um a quatro anos de reclusão. Com a legislação atualizada, quando o crime envolve determinados cabos de energia, telefonia, dados ou sistemas de transporte ferroviário e metroviário, a pena pode chegar a oito anos de prisão. Além da responsabilização criminal, o consumidor flagrado com irregularidade pode ser cobrado pelos valores correspondentes à energia consumida e não registrada durante o período da fraude.
Segundo a concessionária, as ligações clandestinas não provocam apenas prejuízo financeiro. A manipulação irregular da rede pode causar curtos-circuitos, sobrecargas, interrupções no fornecimento e acidentes graves. A preocupação é especialmente relevante em áreas residenciais e comerciais, onde uma ligação clandestina pode afetar consumidores que não possuem qualquer relação com a irregularidade.
A Enel estima ainda que, caso não houvesse furto de energia, as tarifas dos consumidores da Enel Rio poderiam ser reduzidas em aproximadamente 5%.
A concessionária informou que pretende realizar outras 25 operações até dezembro, chegando a um total estimado de 85 ações de combate ao furto de energia em 2026. Para Campos dos Goytacazes, São João da Barra e São Francisco de Itabapoana, o avanço das fiscalizações reforça a necessidade de atenção de consumidores residenciais e, principalmente, de estabelecimentos comerciais que utilizam instalações elétricas adaptadas ou modificadas.
As operações são realizadas pela Enel em conjunto com forças de segurança e equipes de perícia, que verificam tecnicamente as instalações e registram as irregularidades encontradas.
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