O atual governo da Venezuela ordenou nesta segunda-feira (5) que a polícia "inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos".
As forças especiais norte-americanas prenderam Maduro na madrugada do último sábado, em uma operação que provocou apagões em partes da capital, Caracas, e atingiu instalações militares.
Levado para solo americano, onde está detido, o venezuelano deve comparecer diante de um juiz de Nova York nesta segunda-feira. Ao mesmo tempo, também em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU se reúne para discutir o ataque americano.
A primeira audiência em que Maduro será formalmente apresentado à Justiça dos EUA, sob acusações de narcotráfico, será diante do juiz Alvin K. Hellerstein. A esposa dele, Cilia Flores, que também foi capturada durante a operação, deve comparecer ao tribunal com o marido.
O governo americano afirma que ele lidera o chamado Cartel de los Soles, um poderoso grupo que atua no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA, inclusive para desestabilizar a sociedade do país.
A Casa Branca colocou o grupo na mira de seu aparato militar ao declarar as organizações de tráfico de drogas a organizações terroristas.
As conclusões do governo americano são contestadas, no entanto, por quem pesquisa o assunto.
Para especialistas, Maduro não seria o cabeça da organização, porque o Cartel de los Soles não é um grupo com uma hierarquia definida, mas uma “rede de redes” que facilita o tráfico de drogas e lucra com ele, composta de membros das mais diversas patentes militares e estratos políticos da Venezuela.
Apesar disso, há indícios de que Maduro, mesmo não sendo o líder, é um dos principais beneficiários de uma “governança criminal híbrida” que ele ajudou a instalar no país.
A situação da Venezuela
As Forças Armadas da Venezuela reconheceram, neste domingo (4), a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país após a prisão de Nicolás Maduro no último sábado.
Também neste domingo (4), Rodríguez divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo diálogo, o fim das hostilidades e uma "agenda de colaboração", menos de 24 horas após a captura de Nicolás Maduro por uma operação militar norte-americana.
O documento afirma que a Venezuela "aspira viver sem ameaças externas" e faz um apelo direto à Casa Branca para evitar um conflito armado.
"Presidente Donald Trump: nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra", escreveu Delcy.
A dirigente chavista propõe o estabelecimento de uma "agenda de cooperação" com Washington e defende um relacionamento baseado na "não ingerência", citando o líder deposto: "Esse sempre foi o predicamento [postura] do Presidente Nicolás Maduro e é o de toda a Venezuela neste momento".
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