Patrick Stewart, conhecido por dar vida aos personagens Capitão Jean-Luc Picard em "Jornada nas Estrelas: A Nova Geração" e ao professor Charles Xavier nos filmes da franquia "X-Men", morreu nesta quarta-feira (28), aos 86 anos. A morte foi confirmada pela porta-voz do artista.
Segundo uma nota publicada no perfil do artista no Instagram, ele morreu após enfrentar uma breve batalha contra a doença de Alzheimer. "Sua voz sonora e seu talento singular serão, para sempre, sinônimos de atuações inesquecíveis em todos os gêneros", diz a nota, publicada nas redes sociais do artista.
"Suas conquistas profissionais foram acompanhadas, com humildade, por seu trabalho filantrópico e seu ativismo em prol dos direitos humanos, de sobreviventes de violência doméstica, de refugiados ao redor do mundo", afirma o comunicado.
Com uma imponente voz de barítono, Stewart já era, no fim de seus 40 anos, uma presença eloquente e digna de estadista nos palcos britânicos. Mas, para muitos telespectadores americanos, Stewart era um rosto desconhecido quando estreou, em 1987, como o capitão Jean-Luc Picard em "Jornada nas Estrelas: A Nova Geração".
Fãs antigos e novos acolheram Picard, calvo e grisalho, e os integrantes de sua tripulação do século 24, entre eles um androide de pele pálida e humor impassível e uma intensa telepata meio alienígena.
Ao longo das sete temporadas da série, que acumulou 18 prêmios no Emmys, Picard se tornou conhecido por sua calma e por suas ordens características: "Engage!" e "Make it so".
Stewart protagonizou depois quatro longas-metragens derivados da produção — "Jornada nas Estrelas: Generations", "Jornada nas Estrelas: Primeiro Contato", "Jornada nas Estrelas: Insurreição" e "Jornada nas Estrelas: Nêmesis". Ele retomou o personagem em 2020, quando atuou em uma continuação televisiva intitulada "Jornada nas Estrelas: Picard", exibida por três temporadas.
A Enterprise não foi a primeira morada de Stewart na ficção científica, tampouco a última. Ele apareceu na versão cinematográfica original de "Duna", de David Lynch, como o mestre de armas Gurney Halleck. Anos mais tarde, interpretou Charles Xavier, também conhecido como Professor X, em cinco filmes da franquia "X-Men", no papel de um telepata rico que lidera outros mutantes com superpoderes.
Esses filmes, alguns dos quais também contaram com Ian McKellen, grande amigo de Stewart, incluíram "X-Men", de 2000, "X-Men: United", de 2003, e "Logan", de 2017.
Quando se tornou uma estrela das telas, Stewart já era um veterano consagrado dos palcos britânicos, onde começou a trabalhar com a Royal Shakespeare Company, em 1966. Depois de fazer sua primeira apresentação pública no teatro aos 19 anos, atuou em obras clássicas e contemporâneas ao lado de outros atores então em ascensão, como Ben Kingsley, Helen Mirren e Glenda Jackson.
Em 1986, ganhou o prêmio de melhor ator do London Fringe Theater por interpretar George, o marido humilhado, na montagem do teatro Young Vic de "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?", de Edward Albee.
Também recebeu prêmios Olivier — o equivalente britânico ao Tony da Broadway — por interpretar Enobarbus, o melhor amigo de Marco Antônio, em "Antônio e Cleópatra", de Shakespeare.
Para a maioria dos fãs americanos de cinema e televisão, porém, ele sempre foi Picard, mesmo depois dos filmes dos "X-Men".
E, embora em termos de densidade o personagem talvez estivesse a anos-luz de distância de seus papéis mais substanciais na Royal Shakespeare Company, Stewart continuou a manifestar orgulho de seu trabalho como aquele resoluto capitão de nave, rejeitando a atitude de colegas do meio teatral que o haviam olhado com desdém quando ele foi para Hollywood.
"Eles costumavam me perguntar: ‘Por quê, por quê, por quê?’, como se eu estivesse, de algum modo, me rebaixando", disse ele em uma entrevista de 2003 ao jornal londrino The Independent.
"Que esnobismo!", disse. "Para um número enorme de pessoas, eu sempre serei Jean-Luc Picard, e tudo bem. Acredito sinceramente que criamos um indivíduo admirável".
Nascido em Mirfield, Yorkshire, em 1940, Patrick Stewart construiu uma trajetória artística iniciada muito antes do estrelato em Hollywood.
Na juventude, encontrou no teatro um refúgio para uma infância marcada por dificuldades familiares e violência doméstica. Após ingressar na prestigiada Royal Shakespeare Company na década de 1960, consolidou-se como um dos maiores intérpretes clássicos de sua geração, brilhando em montagens aclamadas de peças de William Shakespeare, como "Macbeth", "Antônio e Cleópatra" e "A Tempestade".
Apesar do prestígio nos palcos britânicos, Stewart demorou a alcançar o reconhecimento comercial em massa.
O salto global veio somente em 1987, quando aceitou o convite do criador Gene Roddenberry para assumir o comando da USS Enterprise.
Inicialmente recebido com ceticismo por fãs tradicionais da franquia original que estranharam o ator shakespeariano careca e britânico no papel principal, o intérprete rapidamente transformou Picard em um ícone cultural de profundidade intelectual rara na televisão comercial.
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Stewart acumulou indicações aos prêmios Emmy e Tony, além de ter sido condecorado como cavaleiro pela Elizabeth 2ª em 2010 por seus serviços prestados às artes dramáticas.
Nos últimos anos, mesmo diante dos avanços da idade e de desafios de saúde, retornou com entusiasmo a universos que ajudou a imortalizar, reprisando o papel principal na série "Jornada nas Estrelas: Picarde", participando de produções recentes do universo dos super-heróis.
Sir Patrick Stewart deixa sua esposa, Sunny Ozell, e dois filhos de seu primeiro casamento, Daniel e Sophia.
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