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Saúde
Maio Verde alerta sobre a prevenção e o combate ao glaucoma
Doença silenciosa causadora de cegueira irreversível reforça a importância do check-up oftalmológico anual.
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Thamiris Moreira / Portalozk.com 17 de maio de 2020 às 12h59
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Segunda causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o glaucoma afeta cerca de 900 mil pessoas no Brasil. Trata-se de uma doença grave, cuja perda – irreversível – do campo visual somente é percebida em estado avançado, quando pode já haver comprometido entre 40% e 50% da visão. Por se tratar de uma enfermidade grave - geralmente assintomática no seu início - que leva à perda progressiva da visão, a consulta de rotina ao oftalmologista é crucial para o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento. Pensando nisso, a causa mobiliza profissionais e instituições de saúde na campanha Maio Verde, que tem seu dia D, o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, em 26 de maio.

Mesmo durante a pandemia da COVID-19 é essencial cuidar da saúde ocular.O aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para sofrer de glaucoma. A pressão constantemente elevada no olho danifica, com o tempo, o nervo óptico; a estrutura formada por fibras da retina que seguem em direção ao cérebro. Essas fibras nervosas são as responsáveis por levar a informação visual recebida pelo olho. É como se fosse um cabo elétrico com mais de um milhão de fios. No cérebro, elas geram a visão central e a lateral ou periférica. E o individuo só costuma perceber alguma perda de visão quando a doença já avançou muito.

“Há diferentes tipos de glaucoma, mas o de maior prevalência não causa dor na fase inicial. Quando os sintomas aparecem, o mal já produziu danos graves. A cegueira é evitada com o diagnóstico precoce na consulta de rotina ao oftalmologista, com o auxílio de exames específicos em consultório. Alguns deles são: exame da pupila, teste com aparelho de lâmpada de fenda, tonometria, gonioscopia, avaliação criteriosa do nervo óptico e do campo visual. O tratamento clínico é com colírios receitados pelo oftalmologista. Em situações específicas, existe a opção de cirurgia a laser”, esclarece a oftalmologista especialista em glaucoma Mara Lucia Machado Fontes, das clínicas Lúmmen Oftalmologia, uma empresa do Grupo Opty.

O que é – Ter apenas a pressão intraocular (dentro dos olhos) elevada não significa diagnóstico de glaucoma. “Essa alteração pode ocorrer mesmo com níveis normais. Outros fatores considerados pelo oftalmologista são: idade avançada, história familiar de glaucoma, miopia em alto grau, diabetes e etnia negra”, diz a oftalmologista especialista em Glaucoma Viviane Guedes, do Eye Center Emergência 24 horas, também do Grupo Opty.

Portanto, fazer a consulta de rotina ao oftalmologista, manter hábitos saudáveis e evitar o uso de qualquer colírio por conta própria ajuda a prevenir o glaucoma.Um estudo realizado por oftalmologistas, liderados pelo doutor Ricardo Yuji Abe, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB) - outra empresa do Grupo Opty -, em parceria com o Hospital das Clínicas da UNICAMP, constatou que uma proporção significativa dos pacientes com glaucoma pode apresentar depressão e/ou ansiedade, situações que merecem maior atenção com a necessidade de isolamento social imposta pelo combate à pandemia da COVID-19. A pesquisa foi publicada na edição de maio da revista científica “Arquivos Brasileiros de Oftalmologia”.

Tipos de glaucoma – O glaucoma primário de ângulo aberto é o de maior incidência e tem evolução lenta e progressiva, sendo assintomático frequentemente. De forma semelhante, embora mais raro, o glaucoma de pressão normal também é assintomático e pode estar presente em pacientes portadores de doenças cardiovasculares. Já o glaucoma de ângulo fechado pode causar dor ocular de forte intensidade e perda visual rapidamente, caso não seja realizado tratamento adequado em tempo hábil. Por fim, o glaucoma pode ocorrer secundariamente a traumatismos oculares, uso de medicações, lesões na retina causadas por complicações do diabetes, inflamações ou tumor.

Vale reforçar que a maioria dos glaucomas é assintomático nos estágios iniciais. A pressão ocular elevada vai lentamente danificando o nervo óptico, levando a uma perda imperceptível na periferia do campo visual. Quando não tratada, a doença avança e os defeitos de campo visual se estendem para o centro da visão, causando perda irreversível da visão. O glaucoma também pode ser encontrado, apesar de raro, em adolescentes ou adultos jovens, geralmente causando pressões bem elevadas, podendo vir acompanhado de dores de cabeça e percepção de halos coloridos ao redor de focos luminosos.

Como tratar – Embora não tenha cura, o glaucoma, na maioria dos casos, pode ser controlado com tratamento correto e contínuo, fazendo com que a perda da visão seja interrompida. Habitualmente é necessário o uso de colírios diariamente. Com o avanço de novas tecnologias, hoje é possível oferecer, dependendo de cada caso, um tratamento moderno, como, por exemplo, cirurgia a laser (fototrabeculoplastia), feita no ambulatório, com baixo risco, permitindo a redução da pressão intraocular. Uma outra alternativa ao tratamento clínico no controle do glaucoma de ângulo aberto, de leve a moderado, é o microimplante de stents (dois ou mais) nos olhos, explica a doutora Mara Fontes. Essa técnica melhora o fluxo do humor aquoso – um líquido incolor que preenche as câmaras oculares –, reduzindo a pressão intraocular e podendo eliminar a necessidade de usar colírio ou diminuindo sua dose. A técnica é realizada com anestesia local, e o stent (pequeno dispositivo de metal perfurado) mede quase um grão de arroz (0.4mm por 0.3mm) e não precisa ser trocado. Em geral, esse procedimento é indicado a pessoas que foram submetidas à operação de catarata ou no mesmo ato cirúrgico. Alguns planos de saúde cobrem esse procedimento.

Também na infância – O glaucoma é um dos principais motivos da cegueira na infância, sendo responsável por até 20% dos casos, de acordo com estudos do CBO. O diagnóstico do glaucoma infantil deve ser suspeitado pelo pediatra ainda na maternidade, logo após o bebê nascer, por meio do simples Teste do Olhinho, comenta a doutora Viviane Guedes. Diferentemente do adulto, o recém-nascido com glaucoma apresenta muitos sintomas, como lacrimejamento, aversão à luz, aumento do tamanho do globo ocular, além da perda do brilho natural dos olhos. Esses indícios surgem mais comumente em qualquer momento durante o primeiro ano de vida.

Ao contrário do glaucoma juvenil e adulto, o glaucoma congênito tem grande chance de controle da pressão com a cirurgia angular, se bem indicada e se efetuada com brevidade. É certo que a resposta da cirurgia varia com o quadro clínico da criança e sua gravidade. Na maioria das vezes, o glaucoma infantil vem acompanhado com outras condições sistêmicas ou genéticas que podem dificultar o tratamento.

Quem está no grupo de risco do glaucoma?
-Pessoas com mais de 40 anos.
-Pacientes com pressão intraocular elevada.
-Com histórico de glaucoma na família.
-Afrodescendentes são mais suscetíveis ao glaucoma, inclusive às formas de mais difícil controle.
-Pacientes com alto grau de miopia.
-Pacientes com diabetes, hipertensão arterial e/ou doenças cardíacas.
-Que sofreram lesões físicas nos olhos.
-Que fazem uso prolongado de medicamentos com corticoide.

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