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Covid-19 matou mais do que dengue, sarampo e H1N1 somados em 2020
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Isis Rodrigues / Portalozk.com 10 de abril de 2020 às 09h19
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A Covid-19 fez mais vítimas fatais no Brasil em 44 dias do que dengue, H1N1, sarampo, chicungunha e zika somadas ao longo deste ano. Segundo o último boletim do Ministério de Saúde, divulgado ontem, 941 pessoas morreram desde 26 de fevereiro em decorrência da doença causada pelo novo coronavírus, que já foi comparada a uma “gripezinha” pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em 2020, até 28 de março, a dengue, endêmica no Brasil, provocou 148 mortes. Em período semelhante, o H1N1, vírus que causa um dos tipos de gripe, vitimou 13 pessoas; o sarampo, 4; a chicungunha, 3; a zika, nenhuma.

Para Guilherme Werneck, epidemiologista e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), “a situação vai piorar muito, antes de melhorar”, devido à simultaneidade de surtos.

— O pico dos casos de Covid-19 vai ocorrer quando tivermos o aumento dos casos de H1N1, doença para a qual temos vacina. A imunização, no entanto, não é 100% eficaz. Para agravar, temos o aumento dos casos de dengue. Ela não é uma doença que exige UTI, mas há chance de que um grande número de pessoas desenvolva a forma grave da doença — diz Werneck, apontando o isolamento social daqueles que podem ficar em casa como única forma de amenizar a sobrecarga do sistema de saúde. — O mais importante agora é que todos não adoeçam ao mesmo tempo. Precisamos equipar e montar as estruturas para atender a todos os casos graves.

Surto de dengue

De acordo com o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, neste ano, o total de casos de dengue no país até agora é de 484.249, número 15% superior ao mesmo intervalo de 2019. O aumento, ainda que relativamente baixo, é preocupante quando se leva em conta que a curva de crescimento do vírus vem aumentando: em 2019, foram 1.544.987 casos de dengue no país, 488% a mais que em 2018.

Preocupação: Influenza avança à sombra do coronavírus: falta remédio e há filas para vacina

Os dados acenderam o alerta em pesquisadores e autoridades sanitárias, que já enfrentam a luta contra a Covid-19. Um estudo assinado por especialistas da Universidade Harvard, nos EUA, e pelo secretário nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, projeta falta de leitos e equipamentos no país já em abril. Em 2019, o pico de hospitalizações por dengue e a gripe ocorreu justamente entre março e maio.

Diante desse cenário, o infectologista Edimilson Migowski, professor da UFRJ, reforça a importância da vacinação contra a gripe e o combate aos focos do mosquito Aedes aegypti (transmissor da dengue). Ele ressalta que não há relatos de casos de coinfecção (contrair dengue e Covid-19 ao mesmo tempo) e explica ainda que a necessidade de leitos para dengue é bem diferente da nova epidemia:

— Para dengue, não é preciso isolamento, e nem os profissionais precisam de equipamentos de proteção individual (EPI). Além disso, não causa doença respiratória, principal agravante da Covid-19, o que exige equipamentos e leitos de UTI.

No ano passado: Covid-19 já matou em 43 dias mais do que dengue, H1N1 e sarampo ao longo de 2019

O aumento do número de casos de dengue em 2020 pode ser explicado porque, no fim de 2018, o sorotipo 2 do vírus voltou a circular após dez anos e vem encontrando populações suscetíveis à doença.

Desde o dia 14 de fevereiro, o Paraná está em estado de alerta por causa da dengue. São 87,9 mil casos, além de 69 mortes confirmadas. Segundo a Secretaria de Saúde, em 2019, na quarta semana do mês de março, eram 2.023 casos confirmados da doença — no comparativo, uma explosão de 4.245%. São 177 cidades paranaenses em situação de epidemia, o que representa quase metade dos municípios do estado. Por isso, o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, diz que “estamos atentos ao coronavírus, mas não podemos esquecer da dengue” .

RJ: Aumento do sarampo

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro preparou, no fim do ano passado, um plano de contingência para uma epidemia de dengue tipo 2. As medidas previam aumento da estrutura de atendimento, compra de veículos, equipamentos e insumos para vigilância nos municípios, campanha de conscientização sobre os riscos da doença, além de capacitação de profissionais de saúde. O plano, claro, está sendo adaptado depois da Covid-19.

No estado, o aumento do número de casos de sarampo também é motivo de alerta. De janeiro a março deste ano, foram registrados 501 casos, enquanto, no ano passado, foram apenas dois.

O sarampo é uma doença para a qual há imunização. No entanto, apesar das campanhas, o Estado do Rio não conseguiu vacinar todo o público-alvo. Segundo a Secretaria de Saúde, cerca de 1,4 milhão de pessoas foram imunizadas. A meta é de 3 milhões.

 

*Fonte: Extra

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