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Ramagem já assume a PF com cobrança do presidente para reabrir o 'Caso Adélio'
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Isis Rodrigues / Portalozk.com 29 de abril de 2020 às 07h08
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Atualizado em 29 de abril de 2020 às 07h09

As nomeações de André Mendonça para o Ministério da Justiça e de Alexandre Ramagem para a diretoria-geral da Polícia Federal, confirmadas no Diário Oficial da União desta terça-feira (28), causaram reações opostas. Enquanto o substituto de Sergio Moro foi bem recebido tanto no meio jurídico quanto entre políticos, a escolha do novo chefe da PF gerou desconfiança por conta da sua forte relação pessoal com a família do presidente Jair Bolsonaro.

A insistência de Bolsonaro para trocar Maurício Valeixo, diretor-geral da PF escolhido por Moro, foi o que levou o ex-juiz da Lava-Jato a se demitir na última sexta-feira. Ao sair, o ex-ministro da Justiça acusou o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal para ter acesso a investigações sigilosas.

O dia da confirmação de Ramagem como novo chefe da PF foi marcado por uma cobrança pública do presidente para que seja reaberta a investigação sobre a facada sofrida por ele durante um ato de campanha, em Juiz de Fora (MG), em setembro de 2018. Bolsonaro não concorda com a apuração que concluiu que o esfaqueador, Adélio Bispo, agiu sozinho. Ele insiste que há um mandante para o crime.

— Vai ser reaberta a investigação. Vai fazer a investigação. Foi negligenciado. A conclusão foi o ‘lobo solitário’. Como é que pode o ‘lobo solitário’ com três advogados, com quatro celulares, inclusive andando pelo Brasil — disse Bolsonaro a uma apoiadora que o interpelou sobre o assunto na porta do Palácio da Alvorada. Em seguida, ele voltou a comparar a investigação com a do assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL). — Eu entendo que o meu caso é 200 vezes mais fácil de solucionar do que o da Marielle. O meu tem o assassino e tem uma série de indícios E quase ele teve sucesso. Eu fui salvo por milímetros.

Os desdobramentos do caso sempre foram um foco de tensão entre Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. A Polícia Federal concluiu que Adélio agiu sozinho. O Ministério Público e a Justiça referendaram esse entendimento.E o esfaqueador foi declarado inimputável porque, segundo pareceres médicos da defesa e da acusação, sofre de problemas mentais. Questionado por jornalistas se acha prudente a retomada das investigações, o presidente respondeu:

— Eu acho prudente, sim, e não quero forçar nada, zero. Mas tem que ser aprofundado isso aí. Meu Deus do céu! Se fosse uma tentativa de assassinato de alguém da esquerda, estava até hoje alguém buzinando. Por que é que eu passei a ser um elemento descartável, diferente dos outros? Eu acho que quem é sério no país quer saber quem é que está por trás dessa tentativa de assassinato.

Ramagem é amigo do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e foi responsável pela segurança do presidente durante as eleições de 2018. Integrantes da oposição buscaram a Justiça para tentar anular a nomeação. O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) acionou a 13ª Vara da Justiça Federal de Brasília, enquanto o PDT impetrou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prevê dificuldades para o novo diretor-geral da PF:

— Não conheço o quadro que foi para a Polícia Federal (Ramagem). Acho que ele vai ter dificuldades na corporação, da forma como ficou polêmica a sua nomeação. A PF é uma corporação muito unida, trabalha de forma muito independente. Qualquer interferência é sempre rechaçada.

Em nota, a Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) afirmou que Ramagem tem “qualificação técnica” para o cargo, mas pediu que Bolsonaro garanta autonomia à instituição: “A ADPF reitera a necessidade de manifestação do senhor presidente da República quanto ao compromisso público de que o novo Diretor-Geral da Polícia Federal terá total autonomia para formar sua equipe e conduzir a instituição de forma técnica e republicana.”

Ramagem é visto por colegas da PF como um delegado competente. Ele ocupava até esta terça-feira o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Já atuou na Lava-Jato do Rio de Janeiro, investigou o tráfico de drogas e coordenou a segurança de grandes eventos.

 

*Fonte: Extra

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