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Jorge Jesus reestreia no 'gastão' Benfica em jogo de vida ou morte
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Thamiris Moreira / Portalozk.com 15 de setembro de 2020 às 11h28
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Cinco anos depois de ter deixado o clube de forma conturbada e ir trabalhar no arquirrival da cidade, Jorge Jesus fará sua reestreia pelo Benfica. E não será em um jogo qualquer. É logo em uma final.

O ambicioso plano do Benfica, ao contratar Jesus e gastar uma grana altíssima em jogadores em tempos de pandemia, passa por fazer uma campanha digna na Liga dos Campeões da Europa. Nas últimas três temporadas, o clube foi eliminado ainda na fase de grupos da máxima competição continental. Não vai além das quartas de final desde 1990, quando a Champions League ainda era a velha Copa dos Campeões.

Para conseguir fazer algo importante, no entanto, é necessário se classificar para a fase de grupos. E o Benfica ainda tem duas fases preliminares a superar. Hoje, às 15h, o jogo contra o PAOK, em Tessalônica (Grécia), será disputado em eliminatória única. Ganhou, passou. Perdeu ou empatou e caiu nos pênaltis? Adeus. Mais contra a parede do que isso, impossível. Se passar pelo PAOK, o Benfica fará, então, uma eliminatória em ida e volta contra o Krasnodar, da Rússia.

Na estranha janela de transferências de 2020, marcada pela pandemia que assola o mundo, o Benfica ficou com a segunda balança comercial mais negativa, atrás apenas do Chelsea. Esqueçam Real Madrid, Manchester City ou PSG. O Benfica só investiu menos do que Chelsea e Inter de Milão, foram 80 milhões de euros em gente como Éverton Cebolinha, Pedrinho, Gilberto (Flu) e os atacantes Núñez (uruguaio que veio do Almería) e Waldschmidt (alemão do Freiburg).

No total, ao longo da década, o Benfica foi o único clube do mundo a superar 1 bilhão de euros em venda de jogadores. Agora, com Jesus, saiu da lista de vendedores para entrar na de compradores. Não é uma mudança trivial de rota.

Não à toa, em sua primeira entrevista coletiva desde que chegou ao clube, na véspera da partida, Jesus foi questionado sobre o aumento da pressão dado tudo o que o Benfica gastou.

"Não, o que aumenta a pressão é que temos uma eliminatória a um jogo, onde temos a responsabilidade de querer ganhar. A pressão é de ganhar, o resto não. Num clube como o Benfica, a pressão é diária. Quanto melhor for a equipe, maior a pressão. As pessoas exigem que a qualidade seja transferida para os jogos. Não é um sonho, é uma realidade que queremos (ir mais longe). Mas temos as condicionantes dos adversários. É a nossa primeira final. Pessoalmente se esta pressão me diz alguma coisa? Zero, estou habituado a tantas pressões. No Benfica e de onde vim ultimamente. Os grandes treinadores e jogadores não têm pressão", respondeu.

"Primeiro ano no Benfica a ambição era ser campeão nacional. Agora não é ser só campeão nacional, mas chegar o mais longe possível na Europa."

Este é o nível de exigência que o próprio treinador colocou sobre ele e o clube. O Benfica, campeão europeu duas vezes nos anos 60, acostumou-se, na era do jogo global e multimilionário, a ser um clube doméstico. Joga para ganhar os troféus em Portugal, contratar bem, fazer boas vendas para clubes maiores e segue a vida. Mas, para deixar o Flamengo e voltar a Lisboa, Jesus exigiu que a mentalidade fosse outra.

Agora, a bola está com ele. A diretoria, pressionada pelos títulos perdidos para o Porto na volta do futebol e em ano eleitoral, respondeu abrindo os cofres. Agora, o Benfica está na coluna dos que gastam, não mais dos que arrecadam.

Se fizermos um recorte da década que se encerra, nas janelas de 2010/11 até 19/20, o Benfica foi simplesmente o clube que mais lucrou em compra e venda de jogadores, segundo o site Transfermarkt, referência no assunto. Foram quase 650 milhões de euros no positivo, quase o dobro do segundo colocado na lista, o Porto - o Sporting aparece em quarto, o que mostra bem como o futebol português é o maior vendedor do planeta.

O maior vendedor desta temporada, no entanto, foi Jesus. Que vendeu a ilusão de um Benfica importante de novo no continente. A entrega do sonho começa pelo jogo de hoje, na Grécia. *UOL

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