A cada ano, o Porto do Açu, em São João da Barra, vem apresentando com destaque seu potencial para a área de petróleo. O superintendente de Petróleo, Gás e Biocombustíveis de São João da Barra, Wellington Abreu, ressalta que tudo o que se refere hoje ao Porto do Açu, administrado pela Prumo Logística após a crise do Grupo X, “é grandioso”. Segundo ele, a cadeia produtiva do petróleo, mesmo em tempos de crise, continua crescendo com empreendimentos importantes para a região Norte Fluminense, e a chegada de empresas do capital estrangeiro é uma prova concreta do potencial para Macaé, São João da Barra e Campos. Confira a entrevista publicada no jornal folha da manhã de Campos, na edição de quinta-feira (03).
— Como nasceu e qual a atual situação do Porto do Açu, em São João da Barra?
Wellington Abreu — Tive o privilégio de acompanhar o processo deste grande e importante complexo portuário desde o lançamento da pedra fundamental, em 27 de dezembro de 2006, e em 2007 acompanhei a primeira máquina retroescavadeira da empresa ARG a começar a terraplanagem da área para o início da obra. Pena não ter registrado os dois momentos, mas me sinto privilegiado pelos mesmos. O Complexo Portuário do Açu com o comando do Grupo X, administrado pela LLX, tinha um propósito voltado para uma linha diferente da que hoje vemos em desenvolvimento com a Prumo Logística. Havia um propósito voltado principalmente para siderúrgicas e indústrias automobilísticas, que chegaram até a obter licenças ambientas para instalação. O ano de 2013 foi o ano do caos para o Grupo X, que em março do mesmo ano já tinha uma queda de 59% nas ações da primeira empresa do grupo, que foi a MMX, voltada para a exploração de minério de ferro. Então, veio a grande aposta da OGX no mercado petrolífero brasileiro, mas, infelizmente, não obteve êxito nos 13 blocos arrematados na 11ª rodada de licitações da ANP, em 2013, entrando em recuperação judicial em outubro do mesmo ano e sendo noticiado como o maior calote empresarial da América Latina, após vários meses tentando emergir da crise de confiança que estava enfrentando no mercado financeiro. Nasce aí a Prumo Logística, que é uma empresa de multinegócios, planejada para otimizar o desenvolvimento dos setores de energia e infraestrutura. A empresa assumiu o controle administrativo do Superporto do Açu e uma grande e trabalhosa tarefa de reconquistar a confiança dos investidores nacionais e internacionais em um ano que teve o início da pior crise econômica nacional e uma grande crise internacional, principalmente das commodities petróleo e carvão, com preços despencando mais de 60% em poucos meses, além do avanço das operações anticorrupção no Brasil, mesmo não afetando diretamente. Atrás da Prumo vem a administração da potência americana com o grupo EIG Global Energy Partners, fundo americano que atua nos setores de energia e infraestrutura que desenvolve vários projetos do ramo no mundo e começa a mudar o rumo do empreendimento e focando, até o momento, na área de apoio offshore, fechando vários negócios voltados à indústria do petróleo, que tende a se manter neste patamar de preço por alguns anos. Mesmo assim, torna o pré-sal viável à sua exploração, além da ótima localização geográfica para atender toda Bacia de Campos, parte da de Santos e a do Espírito Santo.
— Algumas empresas já estão no porto pela questão offshore?
Wellington — Sim. Uma das primeiras foi a NOV, que é líder mundial no fornecimento dos principais componentes mecânicos para sondas de perfuração terrestre e marítima. A empresa instalou uma unidade de produção de tubos flexíveis para apoio à indústria offshore com 210 metros de frente de cais e 121.905 m2 de área total. A unidade tem capacidade para produção de 250 km de tubos flexíveis por ano, além de área para armazenagem e teste de material. Com investimento de 200 milhões de dólares, a americana Edison Chouest Offshore (ECO), reconhecida hoje como o mais diverso e dinâmico fornecedor de soluções de transporte marítimo offshore do mundo, assinou contrato de aluguel de área para instalar uma base de apoio logístico offshore e estaleiro de reparos navais para suas próprias embarcações no porto e, recentemente, ampliou sua área de ocupação. A unidade, que poderá receber 12 embarcações e atenderá aos atuais clientes da Edison Chouest, está instalada no T2 (terminal onshore do empreendimento), e venceu uma licitação na Petrobras para seis berços de atracação para atender a plataformas da Bacia de Campos.
— Há outras? O que pretendem?
Wellington — Outras empresas como a NOV e a Edson Chouest também vieram. A Wärtsilä Brasil inaugurou sua planta de montagem e produção de grupos geradores e propulsores azimutal no Porto do Açu. Esta é a primeira unidade industrial brasileira, após décadas de atuação no Brasil. A unidade ocupa uma área de 29.300 m2 no canal do T2 e também irá oferecer soluções e serviços nas áreas de energia e propulsão marítima. O contrato terá a duração de 30 anos, renováveis por mais 30 anos. Empresa finlandesa, líder global no fornecimento de motores e prestação de serviços para navios e usinas termelétricas, a InterMoor, integrante do Grupo Acteon, irá instalar uma unidade que oferecerá apoio logístico e serviços especializados à indústria de óleo e gás. A unidade contará com 90 metros de frente de cais e 52.302 m2 de área total. A Vallourec, que é líder mundial em soluções tubulares premium, fornecendo principalmente para o mercado de Energia, assinou contrato para instalação de uma base logística localizada no polo metalmecânico, em área de 150 mil m2 destinada ao atendimento das companhias de petróleo que atuam na Bacia de Campos, através da armazenagem e fornecimento “just intime” de tubos e serviços especializados. A Technip Brasil, presente no Brasil desde 1976 e que oferece serviços e soluções tecnológicas para campos de desenvolvimento em águas profundas, instalações offshore e unidades de processamento onshore, com recursos integrados e navios de instalação de dutos submarinos, instalou uma unidade de produção de tubos flexíveis com 500 m de frente de cais e 289.800 m2 de área total para apoio à indústria offshore. Com área para armazenagem e teste de material, a BG Brasil, que assinou contrato para utilizar o T-Oil (terminal de petróleo) do porto por 20 anos, movimentando um volume médio de até 200 mil barris por dia, já está em operação e prevê ainda a possibilidade de expansão para 320 mil barris por dia. A Prumo Logística assinou contrato também com a Oiltanking para a venda de 20% de sua subsidiária que será responsável pelo desenvolvimento do Terminal de Petróleo (T-Oil) do porto por US$ 200 milhões. A Oiltanking também irá gerenciar as operações de transbordo que serão realizadas no terminal.
— Quando foi pensado, o porto tinha a meta de ser conhecido no mundo inteiro e colocar São João da Barra nesse mapa, dizia o Eike Batista. Esse tempo virtuoso já chegou para os dois, o porto e o município?
Wellington — O porto, com certeza, já é conhecido em todo o mundo. É uma realidade no mundo da logística de petróleo, minério de ferro, coque, bauxita e com empresas de todos os continentes. Como prova disso basta constatar a quantidade de pessoas hoje de inúmeras nacionalidades que estão trabalhando aqui e que levam notícias para seus países de origem. Fora as manchetes e reportagens em jornais e revistas internacionais de renome, que retratam a sua operação e a participação da Prumo Logística em feiras internacionais, como foi a recente Brics Trade Fair, na Índia, a 19ª Reunião Conjunta do Comitê de Cooperação Econômica Brasil-Japão, na OTC Houston-Texas e presente em todos os encontros que se trata de expansão logística e investimentos de outros países no Brasil. O município está recebendo de forma gradativa. A meu ver, o ISS da construção é de imediato e quanto mais empresas e mais obras, mais receita. Lógico que no início houve uma quantia mais expressiva, de 2010 a 2015, e agora para o ano de 2017, com a licença para dragagem e ampliação do calado do porto para 20 a 22 metros. O município, com certeza, irá lucrar muito mais com o porto a partir de 2017, quando o IPM (Índice de Participação dos Municípios) já terá passado de 0,576 para 0,899, com aumento de 56,1%. Isso é muito importante, mais até que o próprio ISS. O Imposto Sobre Serviços pode alterar de um mês para o outro, já o IPM não. Este é calculado levando em consideração vários fatores e o principal deles é o “Valor Adicionado”, que as empresas informam em suas Declans. Estabelecido este índice, o ICMS do Estado será distribuído sobre seu percentual. Prevejo, em pouco tempo, chegarmos a um índice 50% ou mais do de Macaé, que ultrapassa 5,000 e o torna não dependente dos royalties do petróleo. Quem sabe chegarmos ao patamar deles ou ultrapassar? Quanto ao Eike, eu acredito em sua recuperação. Steve Jobs, Bill Gates e outros grandes homens sonharam, tiveram pedras no caminho e ultrapassaram com sapiência. Merece respeito. São poucas pessoas que conseguem pensar 10 anos à frente!
— Como você vê a atual situação do petróleo e a indústria do mesmo no Brasil e no mundo?
Wellington — O petróleo é uma das commodities principais da indústria mundial e mais volátil também. Todos falam em crise do petróleo, mas, se acompanharmos a sua trajetória, ele teve seu início no século XVII e começou a ser comercializado a menos de US$ 1. Se manteve apenas por dois períodos curtos de 2 e 3 anos acima de
US$ 80. Estamos em sua normalidade. O que estamos vivendo é uma crise sim, mas, se compararmos com outros períodos há 10 anos, o que vemos?
— E o porto que está sendo pensado para Macaé, o Tepor?
Wellington — Todo empreendimento que traga empregos e empresas para nossa região é de grande importância. Macaé era vista como a “Capital do petróleo”, mas sabemos que quase 40% do petróleo produzido hoje no Brasil já está sendo explorado do pré-sal, mais especificamente nos campos da Bacia de Santos e Espírito Santo. Não passando por Macaé e sim por outras rotas. Este investimento está um pouco tardio, mas tem demanda e será ótima para todos nós, do Rio de Janeiro e do Norte Fluminense.
— E a crise atual e a economia regional?
Wellington — Uma crise nacional e internacional. Mais nacional devido ao momento político em que estamos vivendo. Mas na crise que se aprende a criar e administrar com responsabilidade e solidez. Já disse John Kennedy: “Quando escrita em chinês, a palavra crise compõe-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade...”
— O porto depende ainda do Estado e do governo federal para se expandir?
Wellington — O porto surgiu com apoio direto do Estado e financiamentos diretos do BNDES e outras fontes. Sempre será necessário e bem-vindo o apoio do poder público para um empreendimento como este. Lucram os dois. Os impostos ficam no município, no Estado e na União. Já tivemos visita de todas as esferas governamentais. Aí está sua importância. Aonde os governos vão eles levam o porto.
— E as oportunidades de emprego geradas?
Wellington — São inúmeras as oportunidades de emprego geradas com o surgimento de um complexo portuário. A população em geral, ainda mais em um momento como este, tem que procurar se capacitar e buscar seu espaço. É grande a concorrência, eu sei disso, mais temos que ter garra e lutar pelo que queremos. Lutar por seu espaço. Não haverá uma empresa com 1.000 vagas para 100 profissionais. E ainda temos a concorrência exterior, línguas. “Inglês” é de extrema importância.
— Qual é a sua previsão para os próximos anos para a região Norte Fluminense?
Wellington — Não dá pra fazer isso. Nem os mais conceituados economistas e analistas de mercado se atrevem a fazer previsões econômicas para mais de três meses e quem o faz eu não confio. Só sei que é promissor.
Acompanhe o Portalozk.com nas redes sociais:
Instagram: https://www.instagram.com/portalozk/
Facebook: https://twitter.com/portalozk
Twitter: https://twitter.com/portalozk
E-mail: portalozk1@gmail.com
Telefone: (22) 99877-3138