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Professora de samba diz que pode deixar Crivella pronto para a Avenida em uma semana
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Isis Rodrigues / Portalozk.com 13 de fevereiro de 2020 às 09h07
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A falta de Molejo não é motivo para o prefeito Marcelo Crivella se manter longe da Sapucaí. Pelo menos essa foi a justificativa que ele usou para, mais uma vez, não pisar na Avenida durante o carnaval. Crivella disse, ao participar nesta terça-feira de uma vistoria no Sambódromo, que não poderá estar presente nos desfiles, como nos anos anteriores, por não saber sambar. Mas esse argumento é derrubado pela professora de samba Egili Oliveira. Especialista em treinar estrangeiros para sair nas escolas do Rio, como passistas, ela garante que nem mesmo tempo curto para aprender — pouco mais de uma semana — é justificativa o prefeito ficar de fora da folia. Basta querer.

— Os passos básicos não são difíceis de aprender. É só querer e ter força de vontade. Tenho meninas que chegaram aqui há menos de uma semana e já estão sambando. E olha que elas são estrangeiras. Se até um gringo aprende a sambar, para um brasileiro que já carrega o ritmo e a ginga no corpo é muito mais fácil — assegura Egili, que esse ano desfilará pela primeira vez como a rainha de bateria da Acadêmicos de Vigário Geral, escola da Série A, que será a primeira a entrar na avenida na próxima sexta-feira.

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Egili, que aprendeu a sambar com uma tia e a avó aos quatro anos, já formou mais de 400 passistas desde 2007, quando começou a dar aulas de samba. Atualmente ela treina 40 alunas para o desfile desse ano, numa academia de Copacabana. As aulas são frequentadas por mulheres de diferentes nacionalidades. Tem nicaraguense, americana, australiana, ganense, colombiana, equatoriana, haitiana, porto-riquenha, tunisiana e panamenha.

Algumas alunas chegaram há mais tempo, outra há menos. Mais, uma coisa é certa: todas já sabem “dizer no pé” ou pelo menos, já aprenderam o básico para não fazer feio na Avenida. Umas moram no Brasil e outras vieram ao Rio especificamente para o carnaval. A professora garante que, se o prefeito quiser, tem uma vaga assegurada na turma, que também está aberta aos homens, embora a procura seja pequena. Mas se o problema for falta de tempo de Crivella, por conta dos compromissos do cargo, a professora se oferece para ir até ele

— Caso ele queira tenho vaga na minha agenda e posso disponibilizar um tempinho para ir ao gabinete e nos seus momentos de folga ensiná-lo a sambar. Se começar agora até o carnaval já vai estar sabendo fazer os passos básicos. Prometo que deixo nosso prefeito como um verdadeiro carioca, com o samba no pé. Caso ele queira, naturalmente. Seria uma forma até de ele mostrar que seu governo não faz qualquer tipo de discriminação e que ele está aberto a apoiar todas as manifestações culturais, inclusive o carnaval.

Nascida numa família que segue os preceitos da Igreja Internacional da Graça de Deus, Manoela Lorador, de 43 anos, que é aluna de Egili, acredita que nem a religião do prefeito é empecilho para ele aprender a sambar. Ela mesma deixou de pensar assim quando resolveu realizar o sonho de desfilar:

— É só mais uma manifestação cultural e muito democrática — defende a moça.

A australiana Denise Kayan, de 33, é a prova de que qualquer um pode aprender a sambar, mesmo tenho nascido a quilômetros de distância do Brasil. Há quatro meses no país, a filha de chineses nascida na Austrália, já se sente pronta para desfilar como passista. E haja fôlego! São nada menos que três escolas, duas no mesmo dia. Ela começa na sexta-feira pela Unidos da Ponte, na Série A, faz uma pausa no domingo e, na segunda-feira, emenda a Vila Isabel com a Mocidade, ambas no Grupo Especial. Em sua quarta passagem pelo Rio, diz que o desafio maior é com o idioma.

— Mais difícil do que sambar é aprender a falar português. Para o brasileiro é mais fácil (aprender a sambar), porque já nasce com o gingado natural e o ritmo faz parte do seu dia a dia.

Por falta de samba no pé, Crivella disse que prefere acompanhar os desfiles do COR (centro de operações da prefeitura), de onde só pretende sair em direção à Passarela, em caso de emergência. Lá, ele terá a companhia de Felipe Michel, secretário de Envelhecimento Saudável, Qualidade de Vida e Eventos. Segundo o prefeito, quem acompanhará a festa de perto será o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também presenta na vistoria dessa semana, e quem, segundo Crivella “é um pé de valsa”, e estará representando todo o governo.

Mas essa não é a primeira vez que Crivella passa longe da Sapucaí no carnaval. Em 2017, no primeiro ano de sua gestão, não entregou as chaves da cidade ao Rei Momo nem assistiu aos desfiles; em 2018 preferiu ir para a Europa e postou um vídeo no qual dizia ter ido conhecer uma agência espacial e empresas de tecnologia em segurança. No desfile passado, mas uma vez sua ausência foi sentida.Na falta do prefeito, os holofotes se voltarem para o governador Wilson Witzel, então recém-empossado, que ocupou um dos camarotes do setor 9.

 

*Fonte: Extra

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