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Mais de 5 mil jacarés amontoados em lama a 50°C no Pantanal do MS podem morrer se não chover, diz pesquisadora
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Thamiris Moreira / Portalozk.com 20 de novembro de 2020 às 18h16
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Após retornar de visita a área de Pantanal de Nhecolândia, distrito de Corumbá (MS) próximo da fronteira com a Bolívia, a pesquisadora Zilca Maria Campos contou ter visto jacarés que estão amontoados em um lamaçal a 50º C de temperatura. Segundo ela, eles correm risco de morrer caso não chova. O lamaçal fica na área de um açude que secou.

O Pantanal viveu em 2020 sua pior seca em 47 anos, o que contribuiu para o alastramento de queimadas por todo o bioma. O mês de outubro foi o pior da história em focos de incêndio na região: do dia 1° ao dia 28 foram registrados 2.825 pontos de fogo, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

14% da da área do Pantanal foi queimada apenas em setembro, ainda segundo o Inpe. O número é maior que a área queimada ao longo de todo o ano passado. Muitos animais morreram, ficaram feridos ou precisaram fugir das áreas que pegaram fogo.

A pesquisadora Zilca Maria Campos, que há 31 anos atua na Embrapa Pantanal na área de pesquisa e desenvolvimento, contou que viu entre 4 mil e 5 mil repteis concentrados no mesmo lugar, onde um açude secou. De acordo com ela, a solução a curto prazo para evitar a morte dos animais seria encher o açude com água ou fazer um sombreamento para evitar as altas temperaturas.

"Se a chuva não chegar, provavelmente muitos vão morrer. Aliás, muitos já morreram", afirmou a pesquisadora. "Eles morrem por desidratação. Os que podem sobreviver são aqueles que se enterram na folhagem, e lá as temperaturas estão mais amenas. Então, os que buscam refúgio no interior da mata têm maiores chances de sobrevivência", completou.
Ainda conforme a pesquisadora, a alta taxa de mortalidade ocorre por conta de ações chamadas antrópicas, que partem do homem.

"Houve desmatamento da Amazônia, assoreamento de rios e mudanças climáticas. Tudo isso afeta o Pantanal e, reduzindo as chuvas, reduz também os ambientes aquáticos, e as espécies que são aquáticas sofrem, podendo chegar a morte", comentou. *G1

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