Cidades Polícia Política Entretenimento Esportes Últimas

FLAMENGO X PALMEIRAS: ASSISTA AO VIVO E COM IMAGENS A FINAL DA LIBERTADORES

Polícia
Servidora diz ter avisado à direção do Cefet-RJ sobre risco de ataque: 'Tragédia anunciada'
Funcionária trabalha há 17 anos na instituição e mudou a rotina temendo um atentado
PUBLICADO POR: REDAçãO 3 | PORTALOZK.COM - 29/11/2025 - 13:52

COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA

Uma servidora efetiva do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) afirma ter avisado à direção da instituição sobre o ataque de João Antônio Miranda Tello Gonçalves contra funcionários. O atentado se concretizou na tarde de sexta-feira (28) e terminou com a morte de Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro, diretora e psicóloga da instituição, respectivamente.

A profissional, que pediu para não ser identificada por receio de colocar sua vida em risco, esteve no Instituto Médico-Legal (IML) do Centro, na manhã deste sábado (29). Em entrevista aos jornalistas, ela se referiu ao ataque de sexta-feira (28) como "uma tragédia anunciada" e afirmou que há outros profissionais no Cefet com comportamentos semelhantes ao de João, que podem praticar novos ataques contra funcionários.

"Eu encaminhei algumas denúncias para os gestores, direção-geral e para o Ministério da Justiça avisando sobre situações de possíveis atiradores na escola. O Ministério da Justiça chegou a me ligar, mas não houve continuidade para consolidar estratégias de prevenção, tanto no Cefet quanto em outras escolas", diz a servidora, que reforçou que o diretor-geral da unidade tinha conhecimento sobre a ameaça.

Há 17 anos na instituição, a funcionária conta que, nas últimas semanas, mudou completamente sua rotina, já prevendo um possível atentado. "Eu evitava ficar no meu computador. Ele já tinha esse plano e podia entrar ali a qualquer momento. Ontem era para eu ficar até 17h, mas consegui sair meia hora antes do que aconteceu. Eu e outra colega também éramos alvos diretos dele", diz.

Há cerca de quatro anos, a servidora vivenciou a primeira situação de alerta. "Eu estava sozinha na sala e ele entrou contando que o irmão dele se matou com um tiro na cabeça e que ele iria fazer o mesmo. Nesse dia, eu gelei. E o meu temor era esse. Temos pessoas com o mesmo perfil se encaminhando para fazer a mesma coisa. A escola deveria ter levado a sério as denúncias que foram feitas e passado a agir", alertou.

Atirador discordava do setor

A servidora conta que João Antônio Miranda passou a ter desavenças com Allane, a quem era subordinado, e com Layse por questões administrativas. "A Allane era chefe do setor e, quando ele ficou mais rígido, ela, Layse e outros colegas denunciamos o comportamento dele. Ele dizia que o que fazíamos não era suficiente, que não era para ser daquele jeito, que iria abrir processo, o que ele fez em outros setores da administração", afirma.

Após problemas com ela, João Antônio foi transferido para outra unidade. Inconformado, recorreu ao Ministério Público Federal (MPF) para tentar retornar ao setor de origem. Na mesma época, também teve problemas no novo posto de trabalho, o que levou a um afastamento cautelar. Entretanto, um laudo psiquiátrico atestou que ele estava apto a regressar às atividades profissionais, novamente na unidade Maracanã.

Colega diz que vítimas eram "flexíveis e humanas"

A colega de trabalho de Allane e Layse lembra que ambas eram pessoas flexíveis e humanas, sempre dispostas a ajudar alunos e professores. "Elas eram flexíveis, humanas, pessoas com quem todos podiam contar, tanto estudantes quanto servidores. A Layse tinha essa postura de acreditar que, se você for bom e gentil com todo mundo, o mundo vai te devolver só gentileza. Mas a realidade não é assim, e a vida dela foi tirada. Eu trabalhava diretamente com elas e o que posso dizer é que o mundo perdeu duas pessoas maravilhosas", lamentou.

Allane, de 41 anos, era chefe da Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino (Diace) do Cefet. Doutora em Letras, ela construiu uma trajetória acadêmica robusta, com passagens pela PUC-Rio, UFRJ, UFF e pela Universidade de Copenhague, na Dinamarca. No Cefet, era responsável pela coordenação da equipe pedagógica e acadêmica ligada à Direção de Ensino, especificamente na área de Educação Profissional e Tecnológica do Ensino Médio. Ela deixou uma filha adolescente, era torcedora apaixonada pelo Fluminense e também cantora de samba, pandeirista e compositora.

Já Layse, de 40 anos, trabalhava como psicóloga escolar na instituição. Discreta nas redes sociais, ela se apresentava como feminista, antirracista e engajada na luta pelas minorias e se dizia apaixonada por música, incluindo cantoras como Marisa Monte, Maria Rita, e dança de salão. Ela era graduada em Psicologia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e desempenhava funções de apoio emocional e acompanhamento dos estudantes. Estava na instituição desde 2014.

O que diz o Cefet 

A reportagem de O DIA questionou se a instituição tinha conhecimento sobre as denúncias de possíveis atentados dentro da unidade, mas ainda não obteve retorno.

Na nota publicada pelo Cefet-RJ na noite de sexta-feira (28), a instituição não mencionou o registro de denúncias envolvendo João ou outros funcionários. No texto, o órgão lamentou "profundamente essa tragédia, que chocou a comunidade acadêmica" e decretou luto oficial por cinco dias na instituição, a partir de segunda-feira (1º).

Os corpos de Allane e Layse foram levados para o IML do Centro, onde aguardam liberação. Ainda não há informações sobre o sepultamento das servidoras. 

 


Acompanhe o Portalozk.com nas redes sociais:

Instagram: https://www.instagram.com/portalozk/
Facebook: https://twitter.com/portalozk
Twitter: https://twitter.com/portalozk

Veja mais!

E-mail: portalozk1@gmail.com
Telefone: (22) 99877-3138


HOME ANUNCIE CONOSCO
© 2004-2025 Portalozk.com Desenvolvido por Jean Moraes