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Cidades
11 de Julho, dia do Socorrista
Conheça um pouco do Grupo de Resgate Voluntário (GRV)
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Isis Rodrigues / Portalozk.com 11 de julho de 2019 às 18h40
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Atualizado em 11 de julho de 2019 às 18h56

Socorristas são profissionais com formação em técnico de enfermagem, enfermagem ou medicina. No caso dos motoristas das ambulâncias, é exigido ainda um curso de direção. Eles costumam ser os primeiros a chegar ao local de um acidente ou emergência. Esses profissionais são responsáveis por prestar os primeiros socorros e levar os pacientes até uma unidade de saúde. O dia do socorrista é comemorado nesta quinta-feira (11).

A equipe do PortalOZK.com entrevistou quatro socorristas, que voluntariamente, prestam serviços para a ONG GRV (Grupo de Resgate Voluntário), que atua em Campos dando apoio aos chamados do 192 e Corpo de Bombeiros.

O presidente do GRV, Emílio Nogueira Gomes Martins, contou um pouco sobre sua trajetória como socorrista. "Humanista, de coração meio campista, meio paulista. Presidente do Grupo de Resgate Voluntário (GRV) por três mandatos, coordenador geral, apaixonado pelo atendimento pré-hospitalar e enfermeiro. Comecei no pré-hospitalar enquanto estava nas fileiras do Exército Brasileiro, servindo no HGE-SP,  acredito no serviço voluntário de qualidade. Salvando vidas por onde passo, não existe fronteira para fazer o bem e que já atuou até no estado do Espírito Santo, durante uma enchente catastrófica atuo há 20 anos no trabalho voluntário de enfermagem, dez deles no município de Campos dos Goytacazes. Em paralelo ao GRV,  faço consultoria para empresas na área Atendimento Pré-Hospitalar. Ninguém conhece mais a comunidade, do que um integrante da comunidade. Por isso o trabalho voluntário agrega de maneira mais humanizada e empática , a comunidade ao redor.

O governo tem por meio de situações orçamentárias e legais, um limite para sua atuação, e o serviço voluntário vem de encontro para tornar maior e mais rápido a chegada do socorro dentro das limitações do estado. A vida de um socorrista é totalmente voltada ao próximo, os minutos que contam para chegar ao local da ocorrência e prover o melhor atendimento possível, mediante ao evento encontrado.

Ser socorrista de um grupo voluntário então, é  muito mais desgastante,  além do trabalho todo comum a socorristas do SAMU, BOMBEIROS, o socorrista voluntário acaba se deparando com preconceito (o trabalho é de graça...sem custos), falta de apoio (seja empresas, seja governamental), falta reconhecimento do trabalho na sociedade. O modelo voluntario empregado no GRV, é o mesmo dos ESTADOS UNIDOS, PORTUGAL,  EUROPA, cidades de MG, SC e RS.

Entre janeiro 2018 até junho de 2019, ultrapassamos 2 mil atendimentos, de diversos tipo, sejam clínicos,  traumas,  transporte paciente". Emílio conta sobre casos que o comoveram. " Vários casos nos comoveram, sim, nos emocionamos também,  mas durante o atendimento mantemos o foco totalmente no paciente/vítima,  canalizando as emoções para não atrapalhar de maneira alguma o atendimento. Posso citar, um atendimento da equipe,  acionados para apoio ao Bombeiro,  uma queda de moto, no bairro da Penha,  mãe e filho. No local, equipe encontrou a mãe, com  lesões em braços, face, mas estável,  mais a frente a criança caída , a moto colidiu contra uma parede , e a criança, um menino de aproximadamente 4 anos,  havia sofrido um importante trauma craniano. A equipe então se dividiu para cuidar das duas vítimas do acidente, com maior observação para a criança.

Na ambulância, sempre temos alguns itens para atendimentos com crianças,  fantoches, alguns brinquedos,  isso ajuda de maneira ímpar em acalmar a criança,  quebrar o paradigma da ambulância toda cheia de equipamentos , e facilita o procedimento da equipe. Deslocamos ao HFM , ao chegar ao setor do POLITRAUMA, a criança sofre um importante rebaixamento de consciência,  começou a vomitar,  quadro grave, devido ao trauma sofrido. Rapidamente equipes do politrauma iniciaram os procedimentos,  foi entubado, sedado,  efetuada tomografia.  Pelo trauma craniano, houve necessidade de cirurgia e sua recuperação na UTIP. Voltamos ao HFM posteriormente, sempre com algum atendimento, e fomos ao andar pediatria visitar nosso pequeno guerreiro,  sabíamos que ele adorava dinossauros, compramos um de brinquedo para alegrar sua estadia no setor pediatria HFM. Algum tempo depois,  ele teve alta hospitalar, sem qualquer sequela. Neste ano, encontramos durante a romaria de Santo Amaro, a avó da criança, e ele estava bem a frente caminhando, segundo a avó, com o dinossauro e o nosso pequeno guerreiro disse que ia agradecer os TIOS DO RESGATE.

Sei que pode parecer difícil compreender , porque pessoas que poderiam estar em outra atividade,  em suas casas, com suas famílias,  deixam tudo, para  se dedicar a salvar vidas, a amparar sofrimento, a humanizar o cuidado ,  dentro de uma ambulância,  arriscando suas vidas,  empenhando seu tempo ! Vivemos em uma sociedade que inebriada pelo odor da corrupção,  acha que não pode existir quem simplesmente trabalhe por amor,  por respeito, com dedicação para cuidar de quem precisa de um suporte emergencial. Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.
É assim a nossa caminhada,  mas seguramente, neste exato momento, quantos estão em seus lares,  graças a intervenção das equipes,  ou aqueles que partiram,  o fizeram com dignidade, atendidos da melhor maneira, com respeito, cuidado e humanização.

Sabe o que nos torna melhores? NADA,  não somos melhores ,  não somos heróis,  não temos EGO INFLADO,  apenas sabemos que o grão de areia que podemos juntar , faria falta se lá não estivesse. Não fazemos nada sozinhos,  temos a parceria fantástica dos BOMBEIROS DE CAMPOS, da central 192,  dos mais de 80 voluntários,  dos amigos da PM, da Policia Federal e da Policia Rodoviária Federal, todos de alguma maneira, unidos para salvar vidas , mesmo que em risco da própria vida. Ser voluntário é isso,  é estar pronto para atender, cuidar, amparar. A gratidão que recebemos, vem do senso de dever cumprido e contando as horas para o próximo plantão, estarmos aqui, por você", finalizou Emílio.

Com 14 anos de história na área, o socorrista Bruno Paes contou à equipe sobre sua paixão em ser voluntário do GRV e atuar ajudando ao próximo. "São 14 anos na carreira de condutor de viatura e socorrista. É inexplicável descrever ser socorrista, é uma paixão.Você ser a esperança de alguém no momento de dor, no momento em que ela mais precisa de ajuda. A paixão é tanta, que hoje tenho minha empresa e nas horas vagas atuo como socorrista voluntário do GRV. Já trabalhei no Resgate da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Município de Campos, São Francisco de Itabapoana, São João da Barra e no Resgate da AutoPista Fluminense (BR-101)", contou Bruno.

O socorrista Rogerio Pessanha Júnior conta o caso mais marcante para ele. "O mais marcante foi de um menino de quatro anos que estava numa moto com seus pais e veio a colidir com um VW Fusca que estava sendo conduzido por um homem embriagado, na localidade de Rio Preto, onde o GRV foi em apoio ao CBMERJ. Ser socorrista é receber um chamado de Deus, ver uma vítima com 1% de chance e eu entregar 100% das minhas forças em prol da vida dele".

Roberto Nogueira Gomes Martins
Instrutor de APH pela ECSI e Aider
Vice-presidente da Ong GRV conta sua história como socorrista.

"Atuo no resgate voluntario há 3 anos na região Norte Fluminense.
Nesse tempo de atuação dois casos me marcaram bastante. Um foi no município de Degredo onde fomos acionados para queda em residência aproximadamente 3 dias em local de difícil acesso, segundo solicitante, a residência ficava às margens da BR-356 Campos x SJB. Ao entrar na residência um forte cheiro vinha do quarto, onde localizamos um senhor de aproximadamente 56 anos, sem roupas, caído atrás de uma cômoda ficando ali 3 dias naquela posição, seu estado era critico, desidratado, rapidamente minha equipe iniciou os procedimentos e retiramos a vítima daquele local com vida. Levamos o mesmo para centro de emergência de SJB, onde os profissionais deram banho e o alimentaram, infelizmente devido a seu estado critico ele veio a óbito no dia seguinte, porém nosso sentimento de dever cumprido foi feito, pois ele não ficou ali naquele estado esperando morrer sozinho. Pois a última voz que ele ouviu foi a nossa. Sr, somos socorrista, estamos aqui para lhe ajudar.

Outra ocorrência foi no bairro da Penha, onde em apoio ao Corpo de Bombeiro nos acionou para uma queda de moto, onde ao chegarmos no local identificamos 1 vitima ao solo inconsciente com lesões na face e braços, porém nesta ocorrência os populares que estavam ali próximo nos alertaram dizendo, q filha dela esta aqui, quando olhamos para lado, havia uma criança de 5 anos no degrau pois a mãe havia saído de moto com criança na frente, e ao perder controle na via ela subiu a calçada batendo de frente a parede, e com isso todo impacto foi na criança, a mesma estava responsiva com trauma na face.

Nossa equipe se dividiu para atender rápido a criança, estabilizando a mesma e colocando ambas dentro da ambulância, ao chegarmos no HFM toda equipe do politrauma veio atender as vitimas, onde ao entrar no hospital a criança veio a piorar seu quadro, rapidamente a equipe de plantão fez todos os exames e encaminhou para cirurgia. Nossa equipe ficou acalmando pai e os familiares dizendo que iria dar tudo certo que agora a criança estava em boas mãos. Durante a semana voltamos ao HFM e levamos para o pequeno um presente, um dinossauro de pelúcia, pois o pai havia comentado que ele adorava dinossauro. Hoje o pequeno esta bem, sem sequelas e sempre pergunta para os pais, onde estão os tios dele do resgate.

Hoje, dia 11 de julho, comemoramos dia nacional do socorrista, onde tenho orgulho de ser junto com minha equipe, pois saímos pelas ruas, com a missão de salvar vidas, mesmo sabendo que as vezes não podemos voltar para nossas famílias, mas está é a nossa missão, salvar vidas.

E por sermos voluntários, não esperamos recompensa, mas só de você olhar para a vitima e ela saber que não esta ali sozinha naquele momento de dor, e você fazer a diferença na vida daquela pessoa, isso não tem preço.
Trabalhamos com garra e determinação, somos uma equipe de voluntários que somos criticados ou até chamados de loucos por não receber nada em troca, mas somos felizes por poder ajudar ao próximo"  finalizou Roberto.

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